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4 anos depois: veja como o Pix revolucionou diferentes nichos de mercados no Brasil

O Pix tornou-se tão integrado à cultura brasileira que é fácil esquecer que ele foi lançado apenas no segundo semestre de 2020. Em pleno 2024, é difícil imaginar nossa realidade sem esse método de pagamento tão presente no dia a dia.

Em apenas quatro anos, o Pix provocou uma transformação significativa em diversos setores da economia nacional.

Neste artigo, elaboramos tanto um histórico quanto uma análise das mudanças que o Pix já promoveu na economia do país, destacando os mercados que mais se beneficiaram com esse recurso de pagamento. Não deixe de conferir!

Como foi a criação do Pix?

O Pix foi oficialmente lançado no Brasil em 5 de outubro de 2020, já próximo de completar 4 anos. Porém, as bases para o serviço foram sedimentadas bem antes. Em 2002, o país reestruturou o SPB, o Sistema de Pagamento Brasileiro, procurando desenvolver programas mais robustos.

Desde 2005, o Banco Central do Brasil já buscava métodos para dar dinâmicas mais rápidas às trocas financeiras no país. Em 2014, o órgão começou a delinear políticas para o pagamento móvel. Cinco anos depois, o Fórum Pix definiu as especificações técnicas e as regras para o serviço.

De acordo com o Relatório de Gestão do Pix, lançado em 2023 pelo Banco Central, o Pix é um sistema de pagamento instantâneo configurado para transferir dinheiro de um para outro em poucos segundos. Anteriormente, as TEDs demoravam até 3 dias úteis para a transação à outra instituição financeira.

Por sua vez, o Pix facilita o processo, visto que integra as instituições financeiras em um mesmo sistema aberto. Assim, com base no SPI, plataforma do Banco Central, realiza uma comunicação instantânea entre as empresas cadastradas para uma relação otimizada com processamento em tempo real.

O sistema permite as transações por meio de ‘chaves’, que podem ser CPF, CNPJ, endereço de e-mail e número de telefone. Para garantir a segurança, o Pix emprega criptografia de ponta a ponta com fontes de autenticação, além do monitoramento constante pelo BC.

Quais os objetivos do Pix?

Segundo o Banco Central, o Pix foi criado para dar eficiência aos métodos de pagamento e impulsionar o crescimento do mercado nacional. O recurso tem objetivos sociais e econômicos de melhorar a experiência de transação financeira para todas as partes, baixar os custos e promover a inclusão.

Nesse sentido, a Agenda BC# do Banco Central trabalha em seis dimensões: inclusão, competitividade, transparência, educação, sustentabilidade e excelência. Até mesmo o próprio nome ‘Pix’ foi criado para tornar-se uma marca de fácil penetração na cultura brasileira.

O Pix e o comércio on-line de produtos

Como traz o Informe de Tendências de Meios de Pagamento do Minsait Payments, o Pix é o método mais utilizado pelos brasileiros em transações e em compras on-line, sendo a opção preferida para 31% das pessoas. Já em 2022, mais de 30% de todas as movimentações foram feitas com o recurso.

O Pix favoreceu a venda de produtos on-line ao reduzir o tempo de espera. Com o boleto bancário, o item ficava ‘parado’ no estoque, atrasando o processo. O Mercado Livre é um bom exemplo de empresa que se beneficiou com isso. Ainda no começo de 2021, a marca passou a aceitar o recurso do BC como método de pagamento.

Com a compensação imediata da transação, o marketplace ganhou em logística para separar os produtos e encaminhar a entrega. E é justamente esse o principal trunfo da marca: a rapidez. Não à toa, em 2023, o lucro do Mercado Livre cresceu mais de 150% e ultrapassou 1 bilhão de dólares.

No Brasil, o crescimento nas vendas foi de 31% no quarto semestre de 2023, muito motivado pela velocidade da operação. Tanto é que a empresa já anunciou um investimento de mais de R$20 milhões para melhorar a logística e a comunicação entre vendedores e comunicadores.

Outra varejista que registrou crescimento de suas finanças na época do Pix foi a chinesa Shopee. De acordo com a companhia, em 2023, mais de 50% das compras dos brasileiros realizadas na plataforma foram pagos pelo Pix, um aumento de 60% frente ao ano anterior.

E o crescimento da Shopee não é só da marca em si, visto que se trata de um marketplace. Nesse sentido, ainda segundo a marca, 90% das vendas registradas foram de lojistas brasileiros. E os produtos mais vendidos foram fones de ouvido, smartphones, relógios inteligentes, máquinas de cortar cabelo e videogames.

O Pix e o comércio on-line de serviços

Não é só a comercialização de produtos físicos que foi facilitada no mundo on-line, mas também o de serviços. E o exemplo mais claro é o das casas de apostas. Ao longo dos últimos anos, este é um dos mercados que mais cresce em todo país. Segundo o Datahub à CNN, o setor cresceu 734,6% de 2021 a 2024.

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Foto: Número de visitas a sites de apostas esportivas no Brasil de janeiro a dezembro de 2022. SimilarWeb

Apenas entre setembro e novembro de 2023, os acessos aos sites deste nicho aumentaram 93%, como traz o estudo do SimilarWeb. De acordo com as projeções mais recentes, ainda no mesmo ano de 2023, os brasileiros teriam gasto mais de R$100 bilhões nos jogos.

Não é coincidência que todo esse crescimento do mercado se deu justamente ao longo dos últimos 4 anos. Hoje em dia, fazer depósitos em casas de apostas pelo Pix é rápido, fácil e seguro. E a segurança é justamente uma das grandes preocupações para a venda de serviços on-line, o que não seria diferente com o mercado de betting.

No geral, o consumidor costuma ser reticente com o envio de dados e as carteiras digitais ainda não são tão populares por aqui. Tanto é que, ainda segundo o Minsait Payments, menos de 10% das transações foram realizadas pelas e-wallets e menos de 3% com o débito em 2022.

Os registros da expansão do mercado de apostas on-line são realmente muito expressivos, mas outros nichos também vão na esteira. Por mais que seja mais comum assinar serviços de streaming com o cartão de crédito, outras compras de conteúdo como as plataformas adultas foram impulsionadas com o Pix.

O Pix e o mundo off

Segundo os dados do relatório do Banco Central para o Banco de Compensações Internacionais ainda em 2022, o Pix foi o método de pagamento mais barato para os lojistas. Isso porque tem um custo médio de 0,22% por transação, frente aos 2,2% dos cartões de crédito e o 1% das versões de débito.

O ano de 2023 bateu recorde, com quase 42 bilhões de transações registradas e mais de R$17,2 trilhões movimentados pelo Pix. Um dado interessante apresentado pelo BC é que o dia com maior registro do ano foi 20 de dezembro, exatamente o pagamento do 13º salário.

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Fonte: Banco Central

Assim, além do digital, o Pix também impactou o mercado físico. Quem anda pelas cidades brasileiras já viu como virou hábito pagar com este recurso em estabelecimentos como padarias, supermercados e lojas de roupas. Segundo a Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo, 93% das empresas já aceitam o método.

O Pix favoreceu principalmente as vendas para os pequenos consumidores. Hoje em dia, é muito mais fácil para o cidadão vender um bolo de chocolate na rua, por exemplo. De acordo com o Sebrae, 41% das MEIs e das pequenas empresas recebem via Pix como principal método de pagamento.

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Fonte: Banco Central

Porém, ainda há algumas dificuldades para precisar exatamente o volume de transações via Pix realizadas para o comércio. De acordo pelo BC, em janeiro de 2024, o Pix chegou próximo dos 150 milhões de usuários cadastrados. Entretanto, são cerca de 13 milhões de pessoas jurídicas, menos de 10% do total.

Isso acontece porque muitos comerciantes cadastram o CPF como pessoa chave, o que mistura um pouco as análises. O mais indicado é que as empresas recebam valores de transação pelo CNPJ, visto que um alto volume financeiro no CPF pode resultar em problemas com a Receita Federal.

O Pix e a Receita Federal

Não é apenas para os lojistas e para os consumidores que o Pix trouxe modificações. Na verdade, também se tornou importante para a Receita Federal. Por conta do recurso, ficou mais fácil para fazer o cruzamento dos dados para comparar as transações com as declarações entregues.

E é justamente assim que a Receita faz as suas verificações, cruzando os dados do que as pessoas físicas e jurídicas declararam com as movimentações das contas bancárias. Em caso de incoerência, pode encaminhar uma investigação. Nesse sentido, o Pix favoreceu bastante o trabalho da receita por conta da centralização das informações.

E quais são os problemas do Pix?

O crescimento do Pix esbarrou em um problema grave no Brasil: a segurança pública. A facilidade de realizar grandes transferências financeiras rapidamente e totalmente pelo celular também favoreceu a criminalidade. Ainda em 2022, os números de sequestros bateram recorde no estado de São Paulo, sendo o maior registro nos últimos 15 anos.

As informações foram divulgadas pelo Estadão diretamente pela Secretaria da Segurança Pública. E não apenas em SP, mas outros tantos estados do Brasil registraram o aumento, como o próprio Ceará em 2024. E o modus operandi dos criminosos é bastante parecido.

A cena tradicional é a seguinte: as pessoas são abordadas, frequentemente com armas de fogo, e obrigadas a realizarem transferências via Pix para as contas dos bandidos. Pela possibilidade de receber até mesmo por um QR Code, fica difícil pegar nomes e dados do cidadão.

Nesse sentido, o processo é mais ‘seguro’ para os criminosos, visto que não precisam transitar de um lugar para outro em busca de caixas eletrônicos, o que facilitar a interceptação pela polícia no meio do caminho.

Além da violência física, há a coação por golpes. O MED, ou Mecanismo Especial de Devolução, é responsável por receber solicitações de reembolsos por fraudes. De janeiro a maio de 2024, o BC recebeu mais de 1,5 milhão de pedidos de devolução de dinheiro via Pix.

E há uma enorme variedade de golpes na praça, como a criação de páginas falsas de pagamento para capturar acessos, sobretudo de lojas online e até de serviços do governo. Os criminosos também podem indicar falhas inexistentes para pedir envios em sequência de maneira fraudulenta.

Para mitigar os problemas, os órgãos responsáveis tem buscando inovações para conferir mais segurança. E a mais notável delas foi a limitação do valor de transferência em determinados horários. Atualmente, das 20h às 6h, o máximo é de R$1 mil, exatamente o período mais arriscado pelos índices.

As instituições bancárias até permitem que o cliente selecione e peça o aumento do limite de transferência. Porém, o processo demora cerca de 24 horas, justamente para precaver a perda de dinheiro da pessoa em situação de violência.

A Febrabran, ou Federação Brasileira de Bancos, continuamente propõe inovações e melhorias para melhorar a segurança das transações, principalmente para interromper os golpes de maneira mais rápida.
As entidades responsáveis também dão dicas de segurança para os próprios usuários, como verificar sempre os sites em que fazem compras, tomar cuidado com links suspeitos, colocar senha nos celulares e evitar compartilhar dispositivos com acesso aos pagamentos.

Os bancos e demais instituições financeiras também são responsáveis pela segurança dos usuários. Isso porque são eles que cuidam dos aplicativos e do internet banking, precisando apresentar protocolos para proteger as informações sensíveis e evitar fraudes e golpes.

E qual o futuro do Pix?

Já para 2023, o BC# lançou a Agenda Evolutiva do Pix, implementando novas funcionalidades como o Pix Automático para pagamentos recorrentes e o canal secundário para o processamento de transações não prioritárias, com o objetivo de processar melhor grandes lotes de agendamentos.

Para além da expansão para mais e mais mercados, o Banco Central prevê constantes investimentos em segurança, ainda um dos principais freios do Pix. De acordo com a Agenda, o BC propõe evoluções como transações offline, pagamento por aproximação e integrações internacionais.

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